Na Educação Infantil, existe um momento que costuma encantar as famílias: por volta dos 5 ou 6 anos, as letras começam a ganhar sentido, os sons se encontram, as primeiras palavras aparecem e a criança demonstra, cada vez mais, interesse pela leitura e pela escrita.
Para quem acompanha de fora, pode parecer que foi ali que tudo começou.
Mas nós, que acompanhamos de perto cada etapa desse desenvolvimento, sabemos que não foi.
Aquela mãozinha que hoje segura o lápis com mais firmeza passou anos apertando massinha, encaixando peças, rasgando, amassando, empilhando, pintando, recortando, traçando caminhos e experimentando diferentes movimentos.
A criança que hoje percebe que bola começa com o mesmo som de boca passou muito tempo cantando, ouvindo histórias, brincando com rimas, parlendas, músicas, palavras e sons.
Aquela que começa a escrever precisou, antes, desenvolver atenção, memória, percepção visual, orientação espacial, coordenação motora, linguagem, sequência lógica, autonomia e tantas outras habilidades que não aparecem prontas no papel.
E é justamente aí que está uma das maiores riquezas da Educação Infantil: muito do que a criança aprende primeiro acontece nos bastidores, sem que muitas pessoas percebam.
Quando brinca com blocos, há raciocínio.
Quando encaixa pequenas peças, há preparação motora.
Quando completa uma sequência, há construção do pensamento lógico.
Quando ouve e reconta uma história, há linguagem, memória e organização do pensamento.
Quando bate palmas acompanhando as sílabas de uma palavra, brinca com rimas ou percebe sons parecidos, está desenvolvendo habilidades fundamentais para a alfabetização.
Quando espera sua vez, segue uma sequência de comandos, organiza seus materiais ou conclui uma pequena tarefa, também está construindo competências que serão essenciais para aprender.
Nada disso é “só brincadeira”. E nada disso acontece por acaso.
Existe intencionalidade pedagógica por trás das experiências propostas em cada faixa etária. Cada atividade respeita o momento de desenvolvimento da criança e, ao mesmo tempo, prepara habilidades que serão necessárias para os desafios seguintes.
Por isso, talvez o início da alfabetização, mais sistematizada, aos 5 ou 6 anos pareça florescer tão rapidamente.
Mas nenhuma flor começa na flor.
Antes dela, houve raiz. Houve tempo. Houve cuidado. Houve desenvolvimento.
Na Educação Infantil acontece da mesma forma.
Aos 5 anos, muitas famílias começam a enxergar o resultado. Nós tivemos o privilégio de acompanhar toda a construção.
E é por isso que valorizamos tanto cada brincadeira, cada história, cada música, cada traçado, cada descoberta e cada pequena conquista dos anos anteriores.
Porque uma alfabetização sólida e tranquila não começa quando a criança escreve a primeira palavra.
Ela começa muito antes, quando mãos, olhos, ouvidos, corpo, linguagem, pensamento e emoções estão sendo preparados para aprender.
Na Crescer PHD, acreditamos que respeitar esse percurso é tão importante quanto celebrar o momento em que as primeiras palavras finalmente aparecem.
Porque, na infância, antes de aprender a escrever o mundo, a criança precisa ter oportunidades significativas de experimentá-lo.
Claudia Bachour Santos Neves
Diretora Pedagógica